Instituto Reuters | Relatório de Notícias Digitais 2025 - BRASIL

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O domínio de décadas da televisão aberta no mercado de mídia brasileiro continua sendo desafiado pelas plataformas digitais, à medida que os públicos consomem mais conteúdo de áudio e vídeo de serviços de streaming. Enquanto isso, ferramentas de inteligência artificial (IA) estão sendo incorporadas de forma lenta, mas constante, às atividades diárias dos principais veículos de comunicação.

O uso de IA nas redações brasileiras abrange uma gama cada vez mais ampla de aplicações, incluindo a aceleração da tradução de artigos de agências, a transformação de conteúdo escrito em vídeos curtos e a produção de insights a partir de grandes volumes de dados não estruturados. O jornal O Globo, por exemplo, publicou uma série de reportagens baseadas em 600 mil discursos feitos na Câmara dos Deputados e no Senado entre 2001 e 2024. Mais de 255 milhões de palavras e expressões foram avaliadas durante quatro meses usando ferramentas de IA. Alguns dos principais grupos de mídia do país, incluindo Grupo Estado e Grupo Globo, emitiram diretrizes sobre o uso da tecnologia, enfatizando que os usos editoriais da IA generativa devem estar sempre sob supervisão humana direta.

A discussão sobre o impacto potencial da inteligência artificial também chegou à arena política. Em dezembro de 2024, o Senado aprovou um projeto de lei regulamentando o desenvolvimento e o uso de IA no Brasil. A proposta legislativa, que prevê pagamento de direitos autorais pelo conteúdo usado para treinar modelos de inteligência artificial, está agora pendente na Câmara dos Deputados.

Após uma tentativa frustrada de regular as redes sociais em 2023, o tema ganhou força novamente no ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal do Brasil ordenou a suspensão nacional da rede social X, de Elon Musk. O ministro Alexandre de Moraes proibiu sua operação depois que a empresa desafiou ordens judiciais relativas à remoção de contas acusadas de desinformação. O X ficou indisponível por mais de um mês, mas retomou o serviço em outubro, após a empresa cumprir suas obrigações legais, incluindo o pagamento de multas e o bloqueio de determinados usuários.

Enquanto estava fora do ar, o Bluesky ganhou milhões de usuários, chegando em determinado momento a obter mais de um milhão de novos usuários em apenas três dias, mas ainda assim não está à altura do X em termos de popularidade.

O embate entre Musk e Moraes ganhou enorme atenção da imprensa – Moraes tem sido vocal na defesa da regulamentação das redes sociais a fim de responsabilizar as plataformas digitais por falsidades, mas alguns especialistas jurídicos estão preocupados com a possibilidade de ele estar indo longe demais. Em agosto de 2024, o ministro Moraes ordenou a prisão dos blogueiros de direita Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio sob acusações de que ambos disseminaram falsidades nas redes sociais na tentativa de intimidar autoridades da polícia federal. Ambos são apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro; ambos deixaram o país. A Economist Intelligence Unit moveu o Brasil do 51º para o 57º lugar em seu Índice de Democracia 2024, sugerindo que as decisões de Moraes poderiam ter um "efeito inibidor sobre a liberdade de expressão".

Em outro episódio que destaca a preocupação sobre o impacto político das redes sociais no Brasil, uma avalanche de desinformação digital forçou o governo em janeiro a retirar um novo conjunto de regulamentações destinadas a combater a evasão fiscal. Desinformação compartilhada nas redes sociais gerou preocupações de que, com as novas regras, transferências instantâneas de dinheiro seriam tributadas – uma afirmação totalmente falsa. Um vídeo postado pelo deputado de direita Nikolas Ferreira criticando a regulamentação acumulou mais de 300 milhões de visualizações no Instagram. Ferreira tem mais de 17 milhões de seguidores na plataforma da Meta.

Investigações sobre uma suposta tentativa de golpe militar tramada pelo ex-presidente Bolsonaro e alguns de seus principais assessores foram um tema onipresente na mídia tradicional ao longo de 2024. Mas o assunto perdeu espaço em termos de cobertura da mídia após a posse de Donald Trump, quando o presidente dos EUA anunciou tarifas sobre o Brasil e outros países. No entanto, o desfecho dos processos judiciais contra Bolsonaro e 33 pessoas acusadas em conexão com a suposta trama golpista para derrubar o governo eleito em 2022 sem dúvida permanecerá nas manchetes no próximo ano.

Os principais jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo estão enfrentando a digitalização criando uma ampla variedade de podcasts, com diferentes graus de sucesso. Mais recentemente, os jornais têm investido em videocasts quinzenais e até diários. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Podcasters (ABPod) estimou recentemente o número de ouvintes de podcast em quase 32 milhões, com o vídeo respondendo por 42% da produção de conteúdo.

Enquanto isso, o consumo de notícias pela televisão continuou sua trajetória descendente, após ser desafiado pelas redes sociais e pela crescente popularidade do YouTube. O ano passado marcou a morte do lendário apresentador de TV e magnata da mídia Silvio Santos, aos 93 anos. Santos ascendeu de origens humildes para se tornar o proprietário do SBT, uma das maiores emissoras de TV do Brasil.


Rodrigo Carro
Jornalista financeiro e ex-bolsista do Instituto Reuters

População: 218 milhões
Penetração da internet: 84%

Traduzido pela Claude IA.

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