O tênis e o povo brasileiro respiram

Por Christian Maciel Merlone e Nicholas Maciel Merlone

Publicado originalmente no Jornal O DIASP (veja aqui!)

Salve, salve caros amigos, caras amigas! Hoje nós vamos fugir um pouco do tema da nossa coluna, para tratar sobre tênis e o povo brasileiro. Vamos falar sobre um novo talento que nasce em nossas terras brasileiras, e que, possivelmente, ocupará um espaço de liderança e proeminência, podendo até mesmo contribuir para a união da nação verde e amarela. Em tempos de eleições e escolhas políticas, todavia, refletimos: é difícil evitar associações, mas cabe a cada um de nós separar o joio do trigo. 


Mesmo em época de Copa do Mundo, em que todos os olhos estão voltados para o futebol, fica difícil não acompanhar e torcer pela maior promessa do tênis brasileiro após a Era Guga, que nos encheu de orgulho e esperança no final dos anos 90 e começo dos anos 2000.

Senhoras e senhores, caso ainda não tenham tido a oportunidade de vê-lo jogar, apresento-lhes João Fonseca, tenista brasileiro de 19 anos que está começando a encantar o mundo com seu potente e aclamado forehand de direita. O jovem talento, natural do Rio de Janeiro, começou a dar sinais de que seria diferenciado ainda por volta dos 13 anos, quando chamou a atenção pela sua qualidade técnica precoce e modelo mental refinado ao vencer com facilidade adultos experientes em um torneio entre dois dos maiores clubes do país — a Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, e o Rio de Janeiro Country Club, sua casa. 

É fato que o povo brasileiro anda carente de ídolos que transcendam a modalidade em que atuam; figuras reconhecidas não apenas por feitos esportivos, mas por servirem de exemplo e inspiração para uma nação tão sofrida e apaixonada. Pelé, o mineiro que revolucionou o futebol como conhecemos e foi aclamado como Rei, foi capaz de parar uma guerra. Senna, o paulistano das ultrapassagens cinematográficas na Fórmula 1, devolveu ao brasileiro o orgulho de ver sua garra, perseverança e superação representadas dentro e fora das pistas. Já Guga, o manezinho mais simpático e habilidoso que o tênis nacional viu depois da formidável Maria Esther Bueno, resgatou esse sentimento coletivo com exibições inesquecíveis, desde a conquista histórica de Roland Garros, em 1997, até a emblemática Copa Davis de 1998, na Espanha. Isso sem contar o “perrengue” e as dificuldades que estes ícones superaram para alcançar seus sonhos e aquecer o coração do povo brasileiro. Verdadeiros fenômenos do esporte e ídolos nacionais.

Agora chegou a vez do carioca João Fonseca resgatar esse sentimento único que nos une. O garoto é bom, tem cabeça equilibrada e está cercado por profissionais competentes que conhecem os desafios do caminho. Como lidar com todo o entusiasmo após vencer Djokovic, o GOAT da Era Aberta, na mesma quadra em que Guga fez história? Como explicar aos que chegam agora ao tênis que o processo é marcado por altos e baixos? A única certeza é que precisamos apoiá-lo e que o futuro é verde e amarelo. E ainda… junto com ele, vem surgindo também uma nova safra de jovens tenistas promissores! Quem viver, verá! 

Bora, João! Vai, Brasil!

Christian M. Merlone


Nicholas M. Merlone



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